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CAPTULO 20 
EMPREGO DO ADJETIVO 
FUNES DO ADJETIVO 
O adjetivo figura na frase como: 
a) Adjunto adnominal: 
"Milkau foi conduzido ao escritrio, onde um homem taui 
e barbado o recebeu." (GRAA ARANHA) 
Tambm o mesmo papel  desempenhado pela expresso adjeti' 
"(...) um homem de talento como voc precisa de dinheiro 
(COELHO NET 
Vindo o adjetivo anteposto ao substantivo, pode usar-se entre e 
a preposio de: 
a boa velha ou a boa da velha. 
"(...) uma excomungada de uma velha". (HERCULANO) 
b) Predicativo de oraes nominais: 
"Mas voc  orgulhosa." (MACHADO DE Assis) 
c) Anexo predicativo do sujeito, em oraes mistas: 
"Os alunos entravam fardados." (RAUL POMPJA) 
d) Anexo predicativo do objeto direto, e mais raramente do indire em oraes mistas: 
"Por trs das sebes, carregadas de amoras, as macieiras est 
didas ofereciam as suas maas verdes, porque as no tinham n 
duras." (EA DE QuEIRs) 
"(...) brbaro e pestilento (assim lhe chamavam as proclama 
imperiais)". (RuI BARBOSA) 
302 
Como qualquer palavra, pode o adjetivo ser substantivado: 
"(...) pesavam mudos o temerrio e o impossvel da empresa." (CAsTILHO) 
"O ngreme, o desigual, o mal calado da ladeira mortificavam os ps s duas pobres donas." (MACHADO DE Assis) 
ADJETIVO COM VALOR ADVERBIAL 
No masculino e no singular, aparece tambm com valor adverbial. 
Fica, freqentemente, invarivel; mas s vezes deixa-se arrastar pelas 
flexes do substantivo a que se refere. 
 um caso de atrac2o sinttica. 
Exemplos (adjetivo usado adverbialmente e, pois, invarivel): 
"A guia... voa mais alto que todas elas..." (HEITOR PINTO) 
"Os ces de fila custam caro: e comem! comem!" (CASTILHO) 
"Sobre a enxerga estavam dois rapazinhos meio nus." (CAMILO 
CASTELO BRANCO) 
Exemplos de adjetivos usados adverbialmente, mas variveis. 
"(...) finalmente paguei cara a curiosidade." (CAMILO CASTELO BRANCO) 
"Os monumentos custam caros." (REBELO DA SILVA) "Uns caem meios mortos..." (Lus DE CAMEs) 
"Estes homens rudes combatiam meios nus..." (ALEXANDRE HERCULANO) 
"Estas letras que esto abaixo do barrete e punhais, meias gastadas do longo uso..." (HEITOR PINTO)* 
Mais comum  empregarem-se adverbialmente os adjetivos com o 
fito de se evitar o estirado final em mente, to prolixo e desagradvel: 
"O burro... quis tambm fazer-lhe festa 
e discorreu profundo..." (por profundamente) (FILINTO ELsIO) 
"Ela fugia com os olhos, ou falava spero." (por asperamente) 
(MACHADO DE AssIs) 
* Exemplos citados por Mrio Barreto, Novos estudos da lngua portuguesa, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1911, pp. 259-65. 
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COLOCAO DO ADJETIVO 
EM GRUPOS NOMINAIS 
Quanto  ORDEM do adjetivo nos grupos nominais (os formad substantivo + adjetivo, ou vice-versa), a lngua portuguesa apre relativa liberdade. A escolha individual, 
condicionada a fatores d fase ou de entoao,  varivel dentro de certos limites; mas, en guns casos, h uma norma tradicional e fixa, que cumpre respe 
Eis os princpios gerais de colocao: 
a) O adjetivo meramente descritivo. pospe-se ao substantivo: 
homem gordo, livro grosso, gua suja. 
A anteposio ocorre, ao revs, quando se pretende realar o s tantivo por meio de uma qualidade sobre a qual se quer chamar a aten "E preferida com adjetivos que 
exprimem qualidades morais ou cas, dignas de admirao ou desprezo, (belo, bom, etc.), morm em frases exclamativas: Pedro  um bom menino. Que bela paisa Que mesquinha 
vingana!" * 
H1 expresses em que o uso fixou a colocao, de modo que 
- consagradas - ficariam violadas em sua estrutura e entendim se fossem invertidas: mo direita, deputado federal, cdigo civil, trssi,no Senhor, Santssimo Sacramento, 
governo republicano, 
Na linguagem literria, sobretudo em poesia, podem ser usadas, c 
recurso de estilo, colocaes intencionalmente exorbitantes das 
mas habituais. 
b) Pronomes adjetivos (possessivos, demonstrativos, indefini antepem-se normalmente aos substantivos: 
meu livro, este livro, nenhum livro. 
A posposio dos possessivos d-se quando o substantivo est 
determinado, precedido do artigo indefinido: 
Apresento-lhe um meu amigo 
ou 
Apresento-lhe um amigo meu. 
No segundo exemplo, h maior realce do possessivo, porque 
se torna partcula tnica. Da o valor estilstico dessa constru 
* J.. Matoso Cmara Jr., Elementos da lngua ptria, cit., p. 201. 304 
Comparem-se, por exemplo, o nosso po e o po nosso; minha filha e filha minha. 
"- Filho meu, onde ests?" (GONALVES DIAS) 
No seguinte exemplo do padre Antnio Vieira, nota-se o efeito conseguido com essa dualidade: 
"Um prncipe estrangeiro... bem pudera ser nosso rei, mas vai 
grande diferena de ser nosso rei a ser rei nosso." 
Opera-se a posposio dos demonstrativos este e esse junto de um substantivo, em certo tipo de aposto: quando o substantivo, antecedente do pronome relativo que, 
exprime referncia e acrscimo a assunto j tratado: 
"(...) idia esta que me deu ao corpo a mais completa imobilidade..." (MACHADO DE ASSIS) 
CONCORDNCIA DO ADJETIVO 
COM O SUBSTANTIVO 
A CONCORDNCIA do adjetivo com o substantivo faz-se consoante 
os seguintes preceitos gerais: 
a) Se o adjetivo modificar um s substantivo, tomar o gnero e o nmero deste: homem alto, mulher alta, homens altos, mulheres altas; 
b) Se houver vrios substantivos, de gneros diferentes e do singular, o adjetivo pode ir para o masculino do plural, ou concordar apenas 
com o substantivo mais prximo. 
A escolha est sujeita s exigncias da eufonia e da clareza, e 
subordina-se principalmente  inteno do escritor. 
Dir-se-, portanto: 
O pai e a me extremosos ou extremosa, 
conforme o adjetivo se refira a ambas as pessoas (pai e me), ou especialmente  me. 
No caso de o adjetivo preceder os substantivos, far-se- a concordncia com o primeiro destes: 
Boa hora e local escolheste! 
c) Ainda as mesmas condies so seguidas, quando os substantivos so de gneros e nmeros variados: 
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agastamentos e ameaas fingidos ou fingidas 
prantos, lamentaes e mgoas dolorosos ou dolorosas propsitos e tentativas malogradas 
Desde que haja mais de um substantivo, a regra estritamente 1  a concordncia do adjetivo com todos os substantivos, ohserv se a primazia do masculino sobre o feminino, 
e a do plural sol singular. Mas os princpios supremos da eufonia e da clareza no impem a concordncia com o substantivo mais prximo. 
Paralelamente a - Os poemas camoniano e virgiliano - dire 
O poema camoniano, e o virgiliano. E assim: A indagao hist*1 e a geogrfica, etc. 
EMPREGO DO COMPARATIVO 
E SUPERLATIVO SINTTICOS 
As formas do comparativo sinttico (maior, menor, pior, me interior, inferior, superior) e as do superlativo sinttico (mximo nimo, pssimo, timo, nfimo, supremo, 
sumo, belssimo, acn faclimo, etc.) dispensam qualquer partcula intensiva, prpria da maes analticas. 
Tambm alguns adjetivos, j de si enfticos (principal, imens tal, etc.), repelem gradao. "Entretanto, os grandes escritores, beleza, vivacidade ou nfase do estilo, 
no se pejam de infringir tame da lgica, e adotam expresses como as seguintes: 
"o lugar mais interior e inferior" (VIEIRA, Sermes, V. "a enfermidade mais universal." (Idem, ibidem, 266) 
"um to bom Deus, to imenso e infinito" (HEIToR PINTO, gem, II, 58) 
"a mais principal de suas obras" (ARRAIS, Dilogos, 1846, "o menor gesto me afligia, a mais (nfima palavra, uma insi cia qualquer" (MACHADO DE Assis, D. Casmurro, 
318) "O rei no dormia, desesperado. Parecia-lhe humilhao mante to tenac(ssima resistncia." (COELHO NETo, Apk 1910, p. 31)".* 
* Sousa da Silveira, Lies de portugus, cit., p. 143. 
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Notem-se outras formas de intensificar os adjetivos: 
"ultra-epilticos esforos..." (AUGUSTO DOS ANJOS) 
'superexcitad(ssinws os dois..." (idem, ibidem) 
EMPREGO DO SUPERLATIVO SINTTICO 
EM LUGAR DO RELATIVO 
 latinismo sinttico o emprego do superlativo sinttico em lugar do relativo: o poderosssimo dos homens (por o mais poderoso dos homens); a formosssima dos mulheres 
(por a mais formosa das mulheres). Todavia, algumas formas sintticas so usadas, em certos casos, como expresses do superlativo relativo: a mnima razo, o mximo 
divisor, a supremo afronta, etc. 
Semanticamente, as formas sintticas valem tresdobradamente as analticas: Salv observa que, em espanhol, doutssimo diz mais que muito douto. "Isto explica" - 
comenta Joo Ribeiro - "a preferncia das formas sintticas consagradas nos ttulos: ilustrssimo, reverendssimo, etc. Talvez por essa razo, em vez de mais sublime, 
empregou Vieira sublim(ssimo na frase: 
'As quais (coisas) se no podiam entender e penetrar s com a agudeza dos entendimentos, por sublimes e sublimssimos que fossem.' "* 
H, porventura, mais intensidade em - frigidssimo, pauprrimo, 
aglimo, do que em muito frito, muito pobre, muito gil. 
REPETIO E OMISSO 
DA PARTICULA INTENSIVA NO SUPERLATIVO 
Se concorrerem dois ou mais adjetivos, todos no superlativo analtico, permite-se repetir ou no as partculas intensivas, conforme a clareza ou a eufonia o exigir, 
parecendo mais enftica a repetio. 
* Joo Ribeiro, ob. cit., p. 163. 
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So, pois, corretas ambas as construes: 
Ela  a mais amorosa e devotada das mes. 
ou 
Ela  a mais amorosa e a mais devotada das mes. 
Exemplos: 
"(...) ela  a mais nobre, a mais excelente e perfeita obra do 
Senhor!" (BERNARDES) 
"So os mais raros e os mais fascinantes olhos que h." 
(GARRETT) 
"O maior e mais verdadeiro servidor." (VIEIRA) 
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4. 
